Another indian love story

E, não foi só mais uma carta de amor…  Era luz, ensejo, desejo de construir um futuro a dois, mesmo que incerto na certeza de que tudo estaria completo…

ATO 1
Malik Samir
Essa seria a última! Enfim, seria o fim angustiante de espera… meus sonhos tornariam-se em realidade e via o amor escorrer pelos meus olhos.
Será que ela também espera ansiosamente por mim? Será que ela se importa com meu bigode ou com minha monocelha? Será que tenho pensamentos tão bobos que ela não vai gostar de mim?
Anos de espera não pareciam tão longos quanto a data que estava se aproximando. Não consigo parar de pensar em nosso encontro…
Sempre fui um rapaz tímido, com dificuldades e muita garra. Aos poucos consegui meu pedacinho de comércio, sempre pensando em torná-lo nosso. Agora, está tudo tão perto!!!
Aguardei por 09 anos para conseguir a aprovação de nossos pais, um singelo dote como prova de compromisso e uma vida carregada de emoções em nossas trocas de palavras.
São poucos os casais que podem desfrutar de um sentimento tão puro dentro de nossa cultura de casamentos combinados.
Tenho certeza de que fomos feitos um para o outro, vi na borra de café, li nas estrelas, ouvi do sussurro do silêncio, senti no arrepio da pele.
Será a primeira vez que meus olhos cruzarão com seu olhar e sei que sua ternura estará estampada ao me ver.
Como quero te encontrar! Ao total: 537 cartas… Cerca de 06 ao mês, por 09 anos!
Haviam meses em que a espera era dolorida entre uma carta e outra.
Hoje, estou aqui, contando os dias para nosso encontro para a eternidade.
Com amor, seu marido.

ATO 2
Surya Ananda
Era duro competir com a ansiedade das cartas de meu futuro marido, a cada carta descobria uma emoção, uma característica única em que eu viria a presenciar em nosso quase-futuro cotidiano. Faltava pouco para o grande encontro, a cada carta eu imaginaria como seria esse dia, escolhia o vestido mais bonito, a tiara mais brilhante, o anel mais precioso de minha caixinha de jóias… tudo o que eu queria era estar perfeita para o dia em que ele me pediria em casamento, selando o nosso amor de uma vez por todas.
Meu dote era encorpado, papa havia separado uma boa quantia de rúpias para cobrir a a oferta dos pais do noivo, e ainda sim ficava insegura. A espera interminável passou, os nervos estavam a flor da pele na leitura da última carta com tal zelo.
Estava pronta, devidamente vestida, perfumada, cabelos trançados num laço acetinado, o vestido era em tons pastéis e a maquiagem leve… Tudo para parecer o mais graciosa possível para meu noivo, ou melhor, agora, meu eterno marido.
Patna é a capital do estado de Bihar, na Índia. Localiza-se nas margens do Rio Ganges. Também é cortada pelos rios Sone, Gandak e Punpun.
O dia amanhecera e a cidade estava a todo o vapor, tuktuks cortando as rodovias, bicicletas e carros disputando os espaços,  barulhos de buzinas, uma cidade caótica. O sol escaldante pairava sobre a cidade enquanto os dois jovens cruzavam a cidade, marcando um ponto de encontro: o cais de Patna, conhecido por ter um pôr-do-sol magnífico.
E como toda boa história de amor, Malik Samir e Surya Ananda eram apaixonados!
Na pequena cidade de Patna, Malik aguardava sua amada, estava em viagem para o primeiro encontro dos dois. Após 09 anos de espera, Surya deixaria sua amada cidade de Bangalore e iria ao encontro de seu futuro marido. Naquela época, seus pais os prometeram humildemente aos 12 anos de idade, a família de Malik era de pequenos comerciantes e pediu um tempo para o preparo do dote. As crianças não chegaram a se conhecer, mas num pedaço de papel Surya deixou um bilhetinho para o prometido dela.
“Me escreva neste endereço, Surya Ananda.”
Malik sempre foi tímido e inseguro, demorou cerca de um ano até enviar a primeira carta. Surya sabia em seu íntimo que esse momento iria chegar, não demorou em sua resposta e assim semearam seus planos para a vida toda.
Durante o caminho, os dois reliam suas cartas e imaginavam como seria esse encontro. Não poderia ter sido melhor…
ATO 3
Malik Samir sentia uma estranha sensação que ele não conseguia explicar: a dúvida se Surya iria gostar e te aceitar, a indecisão de como iniciaria a conversa, quais as melhores palavras para dizer à sua linda amada.
O tímido rapaz ensaiava algumas frases e viu ao longe uma moça com vestido esvoaçante e um cabelo negro brilhante que reluzia no clarão do cair do dia. Seus pensamentos voaram e seus olhos a fitavam ao meio da multidão. Surya ainda não havia o encontrado… Ele sabia que era ela! Sem nunca ter visto nenhuma fotografia, era a mais linda mulher que ele já tinha imaginado. Era ela, ele sabia.
Nenhuma palavra ensaiada fazia tanto sentido quanto ao momento que seus olhares cruzaram. Ela também sabia que era ele!
Rapidamente ela andou no meio da multidão, Malik congelou e viu sua amada vindo em sua direção sem desviar o olhar, como se o tempo tivesse congelado.. Ele sabia que era ela! Sem nunca ter visto nenhuma fotografia, era a mais linda mulher que ele já tinha imaginado. Era ela, ele sabia.
Nenhuma palavra ensaiada fazia tanto sentido quanto ao momento que seus olhares cruzaram. Ela também sabia que era ele!
Rapidamente ela andou no meio da multidão, Malik congelou e viu sua amada vindo em sua direção sem desviar o olhar, como se o tempo tivesse congelado..
O sol já estava se pondo quando os dois jovens apaixonados se aproximavam um do outro progressivamente, reluzindo nos olhos azuis esverdeados de Surya, que saltitavam de ansiedade para conversar com Malik Samir, seu futuro marido.
O cabelo acetinado, preto como o negrume da noite que logo vira a pairar no ambiente, reluzia os raios de sol. O vestido branco, de renda francesa, costurado à mão por sua avó Sarah, não estava ali de propósito, era o grande dia que Malik colocaria o anel de diamante em seu dedo anelar.
Surya estava impecável, seu colo repleto de jóias de família, uma perfeita princesa indiana, prestes a entregar seu corpo e sua alma ao grande amor de sua vida, Malik.
“Malik, que surpresa te encontrar, esperei tanto por esse momento, meu amor…” disse calmamente, olhando profundamente nos olhos de seu amado.
Abraçaram-se ternamente, seus corações batiam numa intensidade fora do normal, finalmente estavam juntos, unidos, depois de 9 anos de uma espera interminável, selando o verdadeiro e mais puro amor adolescente, agora maduro, como marido e esposa. Malik pousou a mão direita no queixo de Surya, que sorria bobamente, fitando seu mais lindo amor.
As mãos enlaçadas simbolizavam a coisa mais doce do mundo: o amor adolescente que amadureceu e se concretizou em casamento. Uma vida juntos, a eternidade lhes pertencia, e com a bênção de Ganesha permaneceriam assim para todo o sempre.

ATO 4
Surya Ananda
A bela jovem finalmente estava defronte ao seu amado de infância, agora, seu marido. Malik seria aquilo em que Surya sempre sonhou, um marido exemplar, pai de seus futuros filhos, senhor de sua vida, eterno amante e amigo.
“Malik, agora que somos devidamente casados, acho que devíamos procurar um lugar para morarmos, um cantinho nosso, para criarmos nossos filhos, vivendo perdidamente esse amor sem igual.” Disse Surya, em tom suave, dando um beijo terno ao fim da fala, repousando a cabeça no coração de seu amado. Ela tinha certeza que aquele momento, suas almas eram uma só, unidas pelo matrimônio.

Malik Samir
Ao chegar tão perto, Surya estava sorrindo e com sua voz rouca proferiu as mais doces palavras.
Estava perdidamente apaixonado e seguro de nossas escolhas, nossos pais não poderiam ter feito escolha melhor.
“Surya Ananda, não vejo a hora de tornar-te parte de mim, senhora de Malik Samir.”
Num doce gesto, passei a mão em seus cabelos e ela me deu um beijo terno e sussurrou em meu ouvido: “Sou tão sua como em nossos planos”.
Como num filme encantado… Um beijo de amor!

E viveram felizes para sempre, rodeados de filhos, num palácio incrível no meio de Bangalore, cidade em que Surya fora criada, num amor eterno.

Comentários
Daniella Cruz
Educanda em formação e curiosa por natureza. Flamenguista, ariana linha dura com ascendente em touro mais dura ainda. Apaixonada por letras vernáculas, literatura e cinema antigo. Garante e promove sua liberdade com devaneios literários que que saem de sua alma libertina e fugaz. Prazer, Dani Cruz!

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