Feira livre de emoções

Era um dia como outro qualquer, acordei e olhei pela janela, mirando o astro rei brilhar sobre a cidade, tipicamente carioca… Até que tive a sensação de que algo estava errado, o celular não tinha tocado, nenhuma ligação do meu filho e muito menos do meu marido.

“Estranho…” murmurei, organizando as coisas para ir à feira livre, afinal hoje era quarta e sendo assim tinha que selecionar toda a comida do final de semana, porque os meninos estavam fartos de comer macarrão à bolonhesa em todos os almoços de domingo. Mas voltando à ideia de ir à feira livre, já vou avisando que nunca dei sorte com frutas: desde pequena todas as frutas que comia ou comprava eram azedas ou tinham um sabor inaceitável, quase como se fossem estragadas. Tendo em vista que meu jantar ainda estava de pé, peguei minha bolsa e minha bike e segui para o hortifrutigranjeiro.

Um festival de hortaliças inebriantes logo na entrada, “Isso é maldade” falei e prossegui com o carrinho de compras, minhas sacolas já estavam cheias de queijos e vinhos, afinal não podia esquecer do maridão. “Ah, os ovos estavam na promoção”, fiz a festa, e finalizei meu cardápio: queijos, hortaliças, vinho e omeletes. “Nunca mais venho nesse lugar!” Ri, indo para a fila – que estava imensa. Desde que fui demitida sempre aproveito as ofertas desse mercado, são as melhores! Assim que foi chegando a minha vez fui me afastando das frutas, leguminosas e verduras que lembravam a minha infância, trazendo as emoções de uma menina indefesa que agora já era uma mulher feita, e tive a certeza de que um dia tudo aquilo seria parte de minhas memórias.

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Daniella Cruz
Educanda em formação e curiosa por natureza. Flamenguista, ariana linha dura com ascendente em touro mais dura ainda. Apaixonada por letras vernáculas, literatura e cinema antigo. Garante e promove sua liberdade com devaneios literários que que saem de sua alma libertina e fugaz. Prazer, Dani Cruz!

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