Aquele sobre a comunicação

A comunicação se desenvolveu com o passar dos tempos, se tornando fundamental para a evolução da humanidade, mas mesmo assim temos uma tendência a acreditar que o que está nas entrelinhas, o que é dito de forma subjetiva é tão ou mais importante do que a verdade nua e crua. Talvez seja uma forma de romantizar a situação acreditando que se existe uma conexão verdadeira e real onde a outra pessoa vai te entender e as coisas vão acontecer naturalmente. É um tipo de fé, ou aposta no destino, acreditando no “que é pra ser”. O que às vezes nos esquecemos, é que do outro lado pode estar tão perdido no meio disso tudo, tentando se livrar de um emaranhado de bagagens de relacionamentos passados, tentando entender sinais do universo, do horóscopo, da borra de café, do coração e os seus. Pronto, a coisa já começa a se complicar.

Já me apaixonei por mulheres que foram bem diretas no que sentiam, tão sinceras a ponto de cometer “sincericídio”. O problema disso, é que geralmente quando acontece, você está lá se entregando, procurando a melhor maneira de fazer a coisa dar certo, ainda encantado pelo momento, e em menos de um mês, com vocês se encontrando esporadicamente, você ouve algo como: “Ou namoramos agora, ou prefiro terminar com isso, estou apaixonada demais para continuar com o que temos”. A carga de responsabilidade de começar uma relação dessa maneira pode variar de pessoa pra pessoa, no fim das contas, deve funcionar quando os dois estão na mesma “vibe“, não quando ainda estão tentando entender o que está acontecendo.

Me apaixonei por mulheres que gostavam de conversar, a famosa “DR”, em alguns momentos funcionava bem, em outros, um tanto quanto em excesso, mas ainda assim prefiro conversar demais do que de menos. Também, conheci mulheres por quem me apaixonei, desapaixonei e depois de muito tempo descobri que e elas também foram apaixonadas por mim. Aconteceu também de eu me apaixonar, não contar, ela se apaixonar, não contar e a falta de comunicação era tanta, nesses casos, havia uma necessidade tão grande de demonstrar carinho, seguido de um medo imenso de se mostrar vulnerável que nós só nos encontrávamos num sonho platônico vivido a dois, porém um sem saber do outro. Quando você menos espera está no altar como padrinho de casamento da pessoa. Acredito que esses casos estão em segundo lugar entre os piores tipos. Existe um respeito tão grande e uma insegurança ainda maior sobre os sentimentos, sem se dar conta do quanto se tem a ganhar, ambos perdem com o silêncio.

Ainda acho que a pior das situações é aquela em que ambos tentam se comunicar e não conseguem. Depois de um tempo as coisas simplesmente saem do controle e a comunicação se torna impossível. Ali por meados de 2008 foi a primeira vez que senti saudade de alguém enquanto estava sentado ao lado dela. Já não havia mais comunicação. Tudo era implícito e absolutamente tudo dava errado. Pedi a Deus que nunca mais sentisse aquela sensação de tristeza misturada com saudade novamente. Ele atendeu meu pedido, por muitos anos, até que me vi novamente na mesma situação. Tem horas em que a comunicação se torna tão difícil que não interessa quantos fantasmas você venceu, quantas dores superou ou quanto do seu orgulho você precisou trabalhar para se manter de coração aberto para o universo, você simples percebe que a comunicação só funciona enquanto ambos estão na mesma página, ao invés de falarem o que sentem, estejam dispostos a ouvir além do que seu ego quer ouvir. O ego tem disso, tem horas que ele dita o ritmo da conversa, é nessas horas que os dois perdem.

Quando eu tinha 20 anos eu queria viver esse tipo de romance, quase que um cinema mudo, onde cada célula do corpo entende os sinais que vem da outra pessoa, hoje sei o quanto isso já me machucou, então, hoje prefiro falar abertamente, mesmo que eu chegue ao sincericídio, ou pague pelo excesso de palavras, no fim das contas, quando ambos estão dispostos a se entender, arrumam um jeito, mas quando a confiança no que o outro fala já caiu pelo ralo, o que resta é levantar a cabeça e seguir em frente.

A comunicação se desenvolveu com o passar dos tempos, no fim das contas, a boa e velha sinceridade nunca sai de moda, então não tenha medo, se exponha, esteja disposto a ser vulnerável, faça tudo que seu coração mandar, só não seja cruel a ponto de achar que as pessoas podem ler mentes. Ouça com o coração e deixe ele ditar suas palavras, pode ter certeza de que esse já é um ótimo passo para encontrar a felicidade.

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William Morais
Publicitário, quase cineasta e metido a escritor de SP. Aquariano com ascendente em Gêmeos. Romântico crônico e apaixonado por me apaixonar. Entre um café e um seriado nasce um Devaneio que vem direto correndo pra cá.

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