Aquele sobre não poder reclamar

Não interessa quanto o seu passado teime e assombrar suas noites, seus momentos de paz, não importa o quanto você está condicionado a sofrer, o que importa é o agora, é hoje e é o daqui em diante. A única informação importante sobre o seu passado é que você não está mais nele, você não é hoje a mesma pessoa, você melhorou, cresceu e se fortaleceu. Isso é realmente importante, seja qual for o seu medo, ele não tem mais espaço em sua vida hoje. Faça disso a sua realidade. Ser refém dos medos do passado é injusto, com as pessoas ao seu redor e principalmente com você. Ser refém dos medos do passado é minar qualquer possibilidade de ser feliz hoje, sem ao menos tentar.

Nos últimos 60 dias eu tenho aprendido muito, certamente muito mais do que eu possa colocar em palavras, é um processo de autoconhecimento que extrapola as minhas expectativas. Quando você passa por dois anos sem nenhum parâmetro, sem absolutamente nenhuma referência sobre quem você é ou sobre o que acredita, tudo que te resta é aprender, a estudar repetidamente tudo que você fez, até você descobrir, sem pressa nenhuma, que tudo que mais importa em você não foi embora, tudo aquilo que você duvidou sobre você se mostra claramente, e você sabe o que fica e o que você não precisa mais. Você cresceu. Mas como ter certeza disso? Vivendo! Vivendo mais, procurando novas emoções, se reencontrando com antigas, colocando à prova suas crenças e descobrindo que o processo de crescimento passa por encarar novamente tudo aquilo que te dá medo. A vida coloca você em teste o tempo inteiro, cuidado com o que você pede.

É engraçado pensar que em dois meses eu vivi e revivi uns 20 anos da minha vida, consegui perceber que poucas vezes consegui me sentir tão em paz, descobri medos que nunca havia sentido e ainda estou tentando lidar com eles. Gostei de saber que mesmo depois de tudo que já passei, e olha que não foram poucas coisas, existe um padrão de comportamento que já não existe mais. Isso causa um alívio no coração que é engrandecedor. Aprendi que a vida, gentilmente, traz presentes e que se você cuidar direito, fica tudo bem. Descobri que não importa o quão inteligente você seja, o quanto se esforce para entender o mundo, do nada, alguém te traz os porquês de perguntas que você nem imaginava em fazer. Você aprende sobre reforço e extinção, mais do que isso, aprende a conviver com os dois, mesmo que em alguns momentos ou não bastem, ou você não goste, isso também é crescer, aceitar e superar. Nesse tempo eu consegui rir de medos que ainda estão em mim, como o medo de ser eu mesmo, de estragar as coisas, de ser eu mesmo, sim, eu ri, depois que eu entendi aquele “eu mesmo” que eu julgava ser no passado, era apenas uma versão covarde do “eu” de hoje. Os dois choram, mas o de hoje chora como desabafo e não por auto piedade. Ser eu mesmo, sempre foi minha melhor parte, o “eu covarde” é que aparecia depois e estragava tudo. Esse já não existe mais.

Não interessa quanto o seu passado teime e assombrar suas noites, quando você tem a oportunidade de seguir em frente, você aprende a respirar, e encarar os medos de frente, é clichê, mas também aprendi que clichês podem ser bons, existe sim um sol que brilha muito forte mesmo depois das noites mais longas e escuras. Não deixe que o passado se faça presente, respeitar seu passado é inteligente, temer, não! Eu pedi pra vida uma oportunidade de crescer, então, hoje não posso reclamar de nada.

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William Morais
Publicitário, quase cineasta e metido a escritor de SP. Aquariano com ascendente em Gêmeos. Romântico crônico e apaixonado por me apaixonar. Entre um café e um seriado nasce um Devaneio que vem direto correndo pra cá.

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