Aquele sobre o ano novo

Viu só? As lembranças que ficaram desse ano foram muito pontuais, talvez você não saiba nem dizer quais foram os planos que fez para esse ano, mas com certeza se lembra das vezes em que sentiu aquele frio na barriga, se lembra bem das lágrimas, sejam de felicidade, de tristeza, de raiva de alguém ou de si mesmo por saber que feriu o coração de alguém que você se importava. Lembranças vividas são mais importantes do que promessas vazias, dessas, o dia a dia já está cheio. Quantas vezes você disse que estava com saudade ou um eu te amo, para receber de volta uma prova de carinho, só porque seu ego precisava de atenção? Quantas vezes você disse que ligaria e não ligou? Ou prometeu alguma coisa só para parecer que se interessava, mas esqueceu no minuto seguinte?

Para o próximo ano, esqueça as promessas, atitude fala mais alto, aprenda um pouco mais sobre reciprocidade. Cuidar de si mesmo, se preservar é importante, mas pensar no próximo também, ninguém merece ser usado para que você se sinta bem. Nós damos muita importância para coisas desnecessárias e nos esquecemos do básico, aquilo que o dinheiro não compra, alegria que precisa nada mais do que uma boa dose de verdade e carinho.

Que seja o ano do inesperado, dos minutos à toa, da verdade nas palavras e da vontade de um pouco mais, de se doar um pouco mais, de olhar mais nos olhos, de ficar uns minutos mais quando precisar ir embora e de um pouco mais de força naquele abraço já tão deliciosamente apertado. Faça planos, sonhe alto, realize o que puder, perca a hora algumas vezes, saia mais cedo e descubra um novo caminho, ouça uma música antiga que te lembra alguém, se permita viver novas histórias, mande mensagens com amor verdadeiro, deixe o medo de lado, a vida é eterna, ainda teremos muitas oportunidades de errar e ter medo, então que possamos errar muito, aprender com cada erro e crescer, crescer como pessoa, deixar crescer o senso de cuidado com o próximo, crescer a empatia e a vontade de ser feliz com quem te quer bem.

Largue, deixe ir aquilo que você não quer, mesmo que seu orgulho esteja segurando. Se desprenda do que não te fez bem, aproveite a oportunidade para renovar sua vida e suas energias, coloque na balança, se te faz mais mal do que bem, deixe ir, dê um tempo, talvez não seja a hora, talvez nunca seja, mas é melhor conviver com saudade do que foi bom do que acordar todos os dias com o que não tem faz bem. Siga a vida, é tudo mais leve quando voamos livres juntos, se estamos presos um ao outro, de alguma forma, isso não nos levará longe, a vida tem muito mais a oferecer, mais oportunidades e mais amor, então que estejamos rodeados só do que nos faz bem, e todo o resto tem seu próprio caminho, respeite isso.

Para o próximo ano, não vou prometer, vou sonhar, não prometo ser mais presente, minha presença nunca foi constante, mas serei intenso enquanto estiver lá.
Não prometo me apaixonar loucamente, mas sonho em me perder em mais uma loucura do coração.
Não prometo te amar para sempre, mas posso ser sincero enquanto houver amor.
Não prometo que fico, mas enquanto eu estiver aqui espero que me trate com dignidade, pois se em algum momento eu precisar ir, que não seja por falta de amor.

Não prometo fazer loucuras, mudar de casa ou de país, mudar de trabalho ou o corte da minha barba. Não vou escolher cores da roupa para a virada, não vou me preocupar com tradições, ondas ou lentilha. Vou focar em fazer uma coisinha de cada vez, responder uma mensagem por vez e sempre que possível, independente da tempestade dentro do coração, demonstrar para as pessoas o quanto elas são importantes. Se eu conseguir um pouco disso, talvez eu tenha um ano melhor. Trabalho, dinheiro e conquistas materiais, todos nós estamos sempre buscando e produzindo no dia a dia, mas de que adianta isso tudo se não aprendermos a nos relacionar uns com os outros? Não prometa, ame. Na falta de amor, sonhe!

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William Morais
Publicitário, quase cineasta e metido a escritor de SP. Aquariano com ascendente em Gêmeos. Romântico crônico e apaixonado por me apaixonar. Entre um café e um seriado nasce um Devaneio que vem direto correndo pra cá.

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