Aquele sobre os caminhos da vida

Quando andamos por muitos caminhos nessa vida maluca, descobrimos que todos eles são certos, principalmente aqueles que nos causam alguma dor, esses são os que nos tiram da nossa zona de conforto, nos reviram por dentro e extraem de nós as possibilidades de crescermos, quando estiver em uma dessas situações, aproveite para aprender, deixa doer, revire o que estiver dentro de você e faça sair.

Temos o péssimo hábito de dizer que perdoamos, de dizer que está tudo bem, quando lá no fundo guardamos mágoas dolorosas, deixamos nosso ego dominar a situação e o orgulho não nos deixa experimentar a situação como um todo, priorizamos a nossa tendência a procurar culpados e quando encontramos, nos acomodamos no papel de vítima, como diria Homer Simpson: “- A culpa é minha, coloco em quem eu quiser”. Um erro comum, nos enganamos que perdoamos quando no fim das contas o perdão não existe, é só alguém tocar no assunto que lá no fundo começamos a remoer tudo e reviver as mesmas sensações. Deixe sair, permita-se se sentir leve, retome o controle das suas ações sem se deixar dominar pela sua sombra, o que está lá é parte de você, mas não te define, somos muito mais do que isso, é clichê, mas nossa perfeição está sim em nossas imperfeições.

Um dia eu conheci uma garota, tínhamos a melhor sintonia do mundo, tudo perfeito, eu pensava ela falava, ela pensava em mim, eu mandava mensagem. Tínhamos nossa música, nossos poemas, nossos horários, nossos segredos e a nossa vida perfeita entre nós. Poucas vezes estivemos na mesma cidade ao mesmo tempo, mas isso nunca nos fez nos sentimos longe um do outro, pelo contrário, estávamos cada vez mais próximos e o amor entre nós só crescia. Nunca houve posse, nunca houve ciúmes, nunca houve necessidade de controle, apenas amor, puro e simples assim. Essa amizade que virou amor nos dominou, junto com um respeito mútuo o modo de nos magoarmos. Um dia me vi no altar, esperando ela chegar, cercado por padre, padrinhos e… pelo noivo, eu ali, seu melhor amigo, confidente, eu, aquela pessoa, como padrinho de casamento dela. Nem ali eu senti nenhum tipo de ciúmes, apenas uma felicidade, e claro, amor.

Anos se passaram, nada mudou entre nós,  até que um dia em que nos declaramos, como não poderia deixar de ser, foi ali que as coisas começaram a mudar, nos distanciamos, não tinha como ficarmos juntos e na época foi um baque, como se não houvesse mais mundo sob meus pés e eu não conseguia entender, muito menos perdoar, ego ferido, feridas abertas e tudo que eu precisava resolver só dependia de mim, demorei pra entender isso, quando comecei a entender que meu orgulho não me servia de nada, foi ali que comecei a me despir disso, tirar do fundo aquilo que me magoava, entendi a minha parcela no que aconteceu, aceitei e fiz as pazes comigo e quando isso aconteceu foi libertador, uma paz te domina e você sente que tem muito precisa eu resolvido e você é capaz, sem se cobrar, sabendo que você fez tudo que era possível no passado e que agora é capaz de fazer mais hoje. Eu conheci o perdão.

Às vezes sonhamos com uma história acontecendo de trás pra frente, onde tudo começaria mal e acabaria em amor, fantasias e mais fantasias de uma necessidade interna de querer um mundo perfeito e romantizado, quando no fim das contas é de histórias em histórias, passo a passo nesse caminho que continuamos errando e aprendendo. Isso é crescer.

Quando andamos por muitos caminhos nessa vida maluca, demoramos pra acreditar que estamos indo pelo caminho certo, aquele que nos leva ao nosso crescimento como pessoa, que nos transforma em alguém melhor. Não se desespere quando algo sair do controle, aproveite para crescer, isso te ajudará a andar a passos largos em direção à felicidade.

Comentários
William Morais
Publicitário, quase cineasta e metido a escritor de SP. Aquariano com ascendente em Gêmeos. Romântico crônico e apaixonado por me apaixonar. Entre um café e um seriado nasce um Devaneio que vem direto correndo pra cá.

Gostou?

Summary
Score

User Rating
0 (0 Votes)

No Comments