Aquele sobre os tipos de relacionamentos

Certos relacionamentos são baseados em constância, outros em intensidade, e ali, no emaranhado entre o tempo e a reciprocidade, mora o bem querer. Nenhuma dessas relações estão erradas, são perfeitas e maravilhosas como são, apenas por existirem. O que o tempo nos ajuda a entender é como a identificar cada uma delas e valorizá-las, é comum cair no equívoco de se esperar demais da relação errada, por isso esse processo de aprendizado faz a diferença.

Tem carinho que mora no “bom dia” de todo dia, outros moram no “eu te amo” que se ouve uma vez por mês e tem aquele que mora num lugar que paira entre tempo e espaço, que se basta por existir, bate asas por ai, vai e volta, e ao contrário do que se imagina, só cresce. É a sorte de quem valoriza experiências, é o leve da vida que que nos mantêm conectados, aquele caminho que te leva pra lá e pra cá, que muitas vezes você acha que está perdido, quando no fim das contas se encontra no meio de um lugar novo, feliz por ter chegado até ali, sem se importar com o tempo que ficará, isso é relativo, aliás, é só mais uma relatividade dessas nossas vidas chamadas únicas, porém sem a menor condição de viver na singularidade.

Procuramos verdades por todo lado, procuramos a nossa verdade nos outros e esse exercício de espelho é doloroso, procuramos abraços que não estão presentes, precisamos de aprovação que nós não conseguimos achar em nossos corações e teimamos em nossas próprias convicções, perdendo tempo demais querendo estar certo ao invés de estar feliz. Quem nunca fez isso? Eu tenho me cobrado por isso faz tempo, e parece que finalmente eu estou entendendo que o mundo é como é, as pessoas são como são e não consigo mudar nada além da minha forma de reagir ao que acontece. Quero parar de afastar quem quer ficar, só quero aquele abraço sem peso do passado. Quero ouvir as canções novamente e sorrir. Quero parar de querer ir por orgulho. Entender que as relações são como são, ajuda a aceitar o amor, pois amor não se mede, o que eu sinto nunca será igual ao que eu recebo e isso faz do amor singular.

Coração é coisa boa, mesmo machucado, ele aceita o que vem de bom, continua acreditando no melhor, e quando paramos de racionalizar tudo, entendemos que sempre é tempo para um novo sorriso. Que carinho bom é aquele que recebemos sem pedir, sem cobrar, e quando digo cobrar é algo ainda maior do que apenas carência, é só valorizar as menores demonstrações de afeto e voltar ao tempo onde isso era mais importante do que qualquer outra coisa.

Final de ano é sempre época de reflexão e esse tem sido um pouco mais intenso, o que é ótimo, dói, mas a dor ensina. Então, agora é hora de se permitir chegar em casa e procurar vestígios de felicidade, fazer uma viagem pelas cores do coração e dar espaço pra memórias boas, queira ficar um pouco mais antes de pensar em ir embora. Procure assunto, seja o assunto, se de oportunidade de viver o que se tem, o passado de todos tem dores e problemas, isso não te dá o direito de fazer do presente de alguém pior. Abrir os braços e aceitar o outro é uma das melhores formas de ser feliz, entender e abraçar suas próprias dores, as usando para construir relacionamentos ainda mais significativos para o futuro. Você quer ter a chance de ser feliz? Dê a chance! O coração é cheio daquilo que oferecemos e é isso que o universo vai te trazer de volta.

Certos relacionamentos são baseados em constância, outros em intensidade, isso só prova que a cada momento você tem oportunidade pra aprender sobre tudo e todos, se perca nessas linhas que desvendam o melhor do outro e se encontre no céu de suas realizações.

Comentários
William Morais
Publicitário, quase cineasta e metido a escritor de SP. Aquariano com ascendente em Gêmeos. Romântico crônico e apaixonado por me apaixonar. Entre um café e um seriado nasce um Devaneio que vem direto correndo pra cá.

No Comments