A fábula do Urso e da Unicórnio

Era uma vez, em uma floresta muito distante, viva um Urso que havia acabado de sair de um período de hibernação, havia criado coragem para sair de sua caverna gelada e explorar o mundo novamente. Ele ainda sentia algumas dores em seu corpo pelo longo período de inatividade, mas mesmo assim resolveu voltar a se aventurar pelo mundo que cada vez mais parecia maior e mais solitário, mas o Urso sempre acreditou que existia um certo tipo de magia no mundo, daquelas que era capaz de mudar tudo.

Ele tinha boas companhias pela floresta, o Coruja estava sempre lá, observando tudo por uma visão privilegiada, sempre pronta para dar um bom conselho, tinha seus amigos castores que apareciam o convidando para novas aventuras e esperando que um dia o Urso aceitasse seu convite. Certo dia em uma de suas caminhadas pela floresta, o Urso viu uma pequena luz brilhando em sua frente, era uma luz linda e brilhante em forma de Unicórnio. O Urso ficou curioso, se aproximou, ainda com medo do que poderia ser, e tentou tocá-la, naquele instante o Urso sentiu algo que até então nunca havia experimentado, ele sentiu ter encontrado toda aquela magia do universo que tanto buscava e daquele momento em diante, o Urso conseguia se comunicar com a Unicórnio e como mágica eles se entendiam perfeitamente. O mundo parecia melhor. Sua caverna já não parecia tão escura e gelada cada vez que aquela luz brilhava em sua frente eles compartilhavam grandes histórias sobre suas aventuras vividas.

O Urso contou para a floresta sobre a magia no mundo e sobre como ainda haviam Unicórnios que viviam em um mundo mágico e agora ele fazia parte desse mundo, eles tinham um mundo só deles e nesse mundo tudo era incrível do jeito que eles construíram. Os outros animais não acreditavam em magia, eles diziam para o Urso que essas coisas só existiam nas histórias, mas não no mundo real. O Coruja mais de uma vez perguntou para o Urso se estava realmente preparado para o mundo real, questionava sobre sua última hibernação e se ele já estava pronto para novas aventuras, o Urso mesmo com medo, sabia que a magia do mundo não se apresentava para qualquer um e era muito rara.

Suas próximas aventuras eram sempre dividas com a Unicórnio que cada dia brilhava mais intensamente em sua frente, era uma festa dentro dele cada vez que aquela luz aparecia. A Unicórnio parecia cada vez maior, mais nítida e mesmo eles compartilhando um mundo próprio ela parecia cada vez mais próxima do mundo real, mostrando ao Urso como a vida era boa, dando conselhos e eles dividindo o melhor que havia em cada um. Certa noite, o Urso enfrentou uma grande tempestade, daquelas de gelar os ossos e em meio a essa tempestade o vento falava dentro do coração do Urso que magia não existia, o mundo real era duro e frio e que o Urso sempre afastou tudo e todos dele e dessa vez não seria diferente, mas o Urso mantinha a fé e mesmo com medo, sabia que não há tempestade tão longa, nem noite tão escura que não pudesse ser superada. E seguia seus dias cada vez mais brilhantes em companhia daquela luz da Unicórnio que brilhava cada vez mais em sua frente.

Um dia o urso acordou bem cedo e a Unicórnio estava ali, quase nítida em sua frente, como se apenas um pequeno véu os separasse. Eles não estavam mais em mundos diferentes, eles ainda tinham o mundo deles, mas ela estava ali, pronta para chegar ao mundo real. Eles saíram pela floresta, atravessaram pontes, jardins e lugares onde havia música e muitas pessoas por perto. No final do dia encontraram um castelo lindo e depois de visitar o castelo, eles se tocaram, de verdade, e a Unicórnio finalmente estava no mundo real. O toque deles foi como um último suspiro antes do mergulho, o tempo parou por um instante infinito, mas quando eles abriram os olhos o mundo havia mudado. Não havia mais magia, eles já não sabiam como se comunicar, e por mais que tentassem era em vão, passaram os próximos dias tentando procurar uma maneira de encontrar aquela magia que os unia. O Urso já conhecia o mundo real e a sabia que a Unicórnio não havia se adaptado a ele. Mesmo tentando, eles sabiam que o mundo mágico que haviam criado era bem diferente de agora.

O Urso sabia que a Unicórnio precisaria voltar para seu mundo, ela também sabia, então em uma noite, mesmo com o Urso machucado, sabendo que aquele momento era mais importante para a Unicórnio, eles foram andar pela floresta, sabiam que seria uma noite de despedida. Foi uma noite calma, por mais que eles soubessem que haveria uma despedida no final dela, preferiram não falar sobre isso, haviam pessoas, música do legião urbana e cheiro de Palo Santo no ar.

Naquele fim de noite, na hora da despedida, duas coisas não aconteceram, a magia não aconteceu e não soou nenhuma palavra de adeus pela floresta. A Unicórnio se foi. O Urso não sabia de mais nada que aconteceria daquele dia em diante, mas ele tinha fé de que não tinha sido um adeus, apenas um até breve e que de alguma forma um dia eles pudessem reencontrar a magia que os uniu.

O Urso voltou para sua caverna, ainda mais fria e escura, para se preparar para um novo período de hibernação, que dessa vez ele sabia que era o mais importante de sua vida. Lá dentro da caverna, o Urso sentiu mais uma vez aquela luz se acender, mas não era em sua frente, era dentro dele e ele finalmente começou a entender que a magia do universo estava dentro dele.

William Morais
Publicitário, quase cineasta e metido a escritor de SP. Aquariano com ascendente em Gêmeos. Romântico crônico e apaixonado por me apaixonar. Entre um café e um seriado nasce um Devaneio que vem direto correndo pra cá.
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